"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar" - Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pequenas Coisas

Não me ame.
Amar é muito grande.
Eu gosto de coisas pequenas.
Me faça um cafuné
e o mundo para de girar por cinco segundos.
Não me queira para sempre.
Nossa! É muito tempo.
Me queira agora
e o amanhã não chegará.
Não me peça frases apaixonadas.
Soa forçado.
Me ouça ao entardecer
e o seu peito saberá interpretar.
Não me peça um compromisso.
Não me peça em namoro.
Não me peça em casamento.
Talvez eu aceite
e isso é uma coisa grande.
(Quebrar a rotina é uma tentação)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Poeminha da pequena eternidade


Admira-me você!
Surpreso ao saber que nunca deixei de amá-la.
Ninguém me avisou, amigo,
que o coração tem prazo de validade.

Penúltimo diálogo


O que fizeste de errado?!
Se em tudo foste tu mesma, creio que nada.
Por que acabou?!
Calçar os sapatos com os pés invertidos é um martírio
suportado apenas por aqueles que temem ficar descalços.

Vontade


Hoje acordei com vontade de escrever um poema de amor.
Levantei. Papel e caneta.
Vazio...
A vontade tinha passado.
Engraçado...
Antigamente isso durava mais tempo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poesia não dá calafrio.
Muito menos lágrima, burburinho,
interrogação, comentário,
luz, interpretação...
Dá um imenso silêncio.
Daqueles de criança arteira quando surpreendida pela mãe.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cartinha de Natal

Pedi pequenez.
Nada mais que o suficiente para não pisar no essencial.
Ele revirou toda a fábrica.
Por fim, mandou-me uma bicicleta
e fez um adulto feliz.

Deserto

Afinal,
ter todo o mundo
tem o mesmo gosto de não ter ninguém.
Espremer-se numa rua de carnaval
é o mesmo que caminhar chutando areia no deserto.

Figura de Linguagem

 
Paradoxo:
Tens tu malícia até na hora de pedir para
lembrar-me de te esquecer.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Baratas


Toda a noite, quando apago a luz e deito-me
uma barata sobe pelo meu pé,
percorre perna, quadril, costas,
ganha o pescoço
e, antes que ela atinja minha cabeça, num ato reflexo,
minha mão esquerda arremessa a irrequieta barata para longe.
E todos os dias se repete.
Ou minha mão esquerda não consegue matar a barata,
ou divido meu quarto com algumas centenas delas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Blues


Tenho a vida em Blues
de harmonia simples – três acordes
e melodia incomparável
que a guitarra nua, gorda, profunda
solfeja tão doce que parece chorar
e verte lágrimas
porque sem lágrimas não é vida
e sem guitarra não é Blues.